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Pandemia provoca êxodo de grandes cidades e acelera setor imobiliário no litoral

  • quarta, 05/Mai/2021
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Morar longe do barulho, da poluição, da violência, do trânsito e, agora, do maior risco de contágio das grandes cidades. Trabalhar em um terraço ensolarado, perto da família, olhando as árvores, os pássaros, as montanhas ou o mar azul. Essas possibilidades, antes impossíveis, hoje são o sonho de curto prazo de uma boa parte de trabalhadores do mundo inteiro.

O que parecia parecia impossível  vem se tornando realidade em velocidade altíssima, impulsionada  pela pandemia do novo coronavírus e pelas mudanças comportamentais e profissionais que dela decorrem,  e também pelo avanço tecnológico dos últimos anos, que possibilitam o exercício formal de muitas profissões de qualquer lugar com acesso a internet. Muitas famílias estão trocando a “velha” praticidade do endereço nos centros urbanos, “perto de tudo”, para reconstruir a vida em lugares mais afastados, com um substancial ganho de qualidade de vida, sem perder produtividade.

Até pouquíssimo tempo atrás, casas de campo ou de praia eram imóveis destinados basicamente ao lazer e ao tempo livre, nos fins de semana ou nas férias – ou eram tratadas como refúgio derradeiro de idosos e aposentados. A Covid-19 e o boom do uso da tecnologia em quarentenas e lockdowns ao redor do mundo mudaram essas premissas. Milhões de profissionais perceberam que podem trabalhar tão bem ou melhor em suas casas do que nos escritórios – e com mais segurança, produtividade e prazer.

Cidades e países ao redor do mundo vêm se esforçando para atrair os "novos trabalhadores". Alguns países como Canadá e Portugal implementaram legislação especial para tratar desses casos. Em algumas cidades do Brasil já pipocam programas e até publicidade para a atração de profissionais em trânsito. Os benefícios oferecidos incluem melhor infra estrutura tecnológica, segurança, proximidade de grandes centros, além de outros mais específicos.

Dez para um

Os primeiros impactos da pandemia foram sentidos logo no início de março, quando a procura para locação de imóveis  na praia aumentou em larga escala. Segundo os números apontados por pesquisas do setor imobiliário, há em média dez pessoas disputando o mesmo imóvel, “comportamento raro” fora da temporada de férias escolares ou dos feriados de fim de ano.

Tanto mar

A praia tem se transformado em lar permanente de muitas famílias. No litoral próximo à cidade de São Paulo, no município do Peruíbe (a 145 km da capital), estão localizados os Condomínios Residencial Flora Rica I e II, que têm recebido aumento nas propostas de compra dos terrenos restantes.

Marcelo de Paula, Corretor Sênior na Sol Maior Imobiliária,  especializado na compra, venda e locação de imóveis em Peruíbe e região, diz que, além da procura por imóveis ter aumentado, muitos imóveis que estavam para locação foram retirados do mercado para que os proprietários ocupassem, fugindo da pandemia nos grandes centros.

O êxodo apontado pelos especialistas ouvidos nesta reportagem é um dos inesperados efeitos colaterais do coronavírus, e provavelmente é uma tendência que deve permanecer mesmo após superada a pandemia.